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1 dia em Tarragona: ruínas romanas, catedral gótica e tapas com alma mediterrânea

Se tem uma coisa que me encanta em viagens é sentir que estou caminhando por camadas de tempo vivas. E em Tarragona, isso acontece o tempo todo. A cidade respira história — e não só em museus, mas nas ruas, nas pedras e nas paisagens.

Balcón del Mediterráneo

Fundada como Tarraco no século III a.C., foi a capital da província romana Hispania Citerior, o que hoje seria algo como o “quartel-general” de Roma na Península Ibérica. É Patrimônio Mundial da UNESCO e, ao mesmo tempo, uma cidade ensolarada, vibrante e muito autêntica.

10h00 – Chegada e café com vista para a Plaça de la Font

Chegamos na Plaça de la Font, praça principal da cidade moderna e lugar perfeito para começar o dia. Sentamos numa das mesinhas externas e só fiquei olhando ao redor: prédios coloridos com varandas de ferro, bandeiras catalãs e a fachada da prefeitura — que ocupa parte do que já foi o circo romano. E é aí que você percebe: a cidade moderna foi construída literalmente sobre as ruínas de Roma.

10h45 – Anfiteatro Romano: coliseu com vista para o mar

Fomos caminhando até o Anfiteatro Romano de Tarraco, construído no século II d.C., que abrigava até 15.000 pessoas.

Balcó del Mediterrani

Aqui aconteciam combates de gladiadores, execuções públicas e, depois da cristianização, até mártires foram queimados em cena — como o bispo Fructuoso, cuja memória é preservada numa pequena basílica paleocristã no próprio anfiteatro.

Mas o mais impressionante é a localização: ele está ali, voltado para o mar, com o azul do Mediterrâneo como pano de fundo. É impossível não se emocionar.

Anfiteatro Romano

11h30 – Muralhas, fórum e Torre do Pretório

Subimos em direção à Parte Alta, núcleo medieval e antigo coração romano. Caminhamos ao longo das muralhas romanas, as mais antigas da Península Ibérica, construídas no século II a.C. Parte delas ainda está de pé, com pedras ciclópicas e torres preservadas.

Passamos pela imponente Torre del Pretori, que já foi palácio romano e prisão militar, e pelo Fòrum Provincial, antiga praça pública do Império com colunas e escadarias. Estar ali é como caminhar dentro de um cenário de filme épico — mas com gente real, cafés e lojas ao redor.

12h30 – Catedral de Tarragona: da Roma à Idade Média

Chegamos à Catedral de Santa Tecla, construída entre os séculos XII e XIV sobre o que foi um templo romano dedicado a Augusto.

A fachada gótica é deslumbrante, mas por dentro o que me encantou foi o claustro românico — silencioso, cheio de luz filtrada e com jardins internos que pedem contemplação. Vale muito a pena fazer a visita com áudio-guia. Custou 12€ quando fomos.

Altar Catedral de Tarragona

Na Calle Major nos deparamos com os castellers que são talvez a expressão mais emocionante da cultura catalã: torres humanas que podem chegar a dez andares de altura, erguidas apenas pela força e confiança entre os participantes.

Calle Major

Em Tarragona, esse espetáculo atinge seu auge durante a Festa Major de Sant Magí, em agosto, quando as ruas se enchem de música, cores e tradição. Além das procissões e da simbólica água milagrosa do santo, os castells e pirâmides humanas conquistam a todos, lembrando que, assim como na vida, só é possível alcançar o topo quando há união, equilíbrio e coragem coletiva.

Castellers

Ao final da Calle Major, bem na esquina, não perca a Casa Vicens, uma tradicional confeitaria de Tarragona, é uma verdadeira instituição quando se fala em turrones artesanais. Fundada no século XIX, segue até hoje elaborando suas receitas com o mesmo cuidado familiar – e de forma artesanal -, que transformou o doce típico catalão em símbolo de celebração e afeto. Além dos clássicos de amêndoas, avelãs e gema tostada, a casa surpreende ao inovar constantemente: recentemente lançou uma linha de pistaches e um irresistível chocolate inspirado em Dubai, que combina pistache e Kadaif, aquele dice árabe de macarrão.

14h00 – Almoço na Parte Alta: La Fonda

Depois de tanta história, fomos ao La Fonda, restaurante com filosofia slow food e ingredientes locais. Pedimos o arroz com cordeiro assado à baixa temperatura e uma taça de vinho branco DO Tarragona. Leve, saboroso, perfeitamente servido. O restaurante é pequeno, então vale reservar.

Arroz com cordeiro

15h30 – Balcó del Mediterrani: o mirante que dá sorte

Descemos até o Balcó del Mediterrani, um terraço panorâmico que parece saído de um cartão-postal. A vista é aberta, ampla, com o mar, o porto e o trem costeiro cruzando lá embaixo. Toquei nas barras de ferro (dizem que dá sorte), e ficamos ali, de olhos no horizonte, como os romanos talvez também tenham feito.

Relógio de Sol

Por ali também está o Circo Romano de Tarragona é um dos tesouros mais impressionantes deixados pelo Império Romano na Península Ibérica. Construído no século I d.C. para abrigar as emocionantes corridas de quadrigas, chegou a reunir até 30 mil espectadores em suas arquibancadas monumentais.

Circo Romano

Caminhar hoje por seus túneis subterrâneos e muralhas imponentes é como viajar no tempo, imaginando o eco das rodas de madeira, o grito da multidão e a grandiosidade da antiga Tarraco, capital da Hispânia. Patrimônio Mundial da UNESCO, o circo é uma parada obrigatória para quem deseja sentir de perto a fusão entre história e vida urbana que faz de Tarragona um destino tão singular.

16h15 – Sorvete na Rambla Nova e últimas voltas

Caminhamos pela Rambla Nova, principal avenida da cidade, cheia de lojas, cafés e esculturas. Tomei um sorvete artesanal na Muca da Latte (o de pistache siciliano é incrível), sorveteria tradicional italiana com sabores como turrón e pistache siciliano. Também entramos numa loja de produtos locais, a Prado Cuir e na Corivm (divina!) e compramos vários itens em couro legítimo, comprei uma bolsa de couro tranzado caramelo lindíssima (na cor do Outono que vai entrar!).

17h00 – Plaça del Fòrum: vermute entre colunas romanas

Terminamos o dia na Plaça del Fòrum, uma das mais interessantes da cidade. Ali estão as ruínas do fórum romano original, parcialmente integradas à paisagem urbana. Sentamos em uma mesa ao ar livre.

Plaça del Fòrum

Nada como fechar o dia com uma bebida típica no mesmo lugar onde cidadãos romanos já debateram política, comércio ou simplesmente esperaram o sol baixar.

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