Europa · Romênia · Transilvania

Transilvânia e o Castelo do Conde Drácula

Visitamos a Romênia no fim de semana da Páscoa e, portanto, só tínhamos 1 dia inteiro para conhecer a região mais famosa do país, a Transilvânia. Por isso nem pesquisei transporte direto do aeroporto para Brašov ou cogitei alugar um carro porque queria algo rápido e certeiro. Pesquisei bastante na Internet e encontrei a empresa Travelmate Tours que oferecia o tour que precisávamos: Dois Castelos em 1 dia.

Esse tour é um resumão do que melhor tem a oferecer a região: partindo cedo de Bucarest conhecemos as três cidades mais bonitas da região, Sinaia, Brasov e Bran e os dois Castelo mais famosos, o Castelo de Pelles e o Castelo de Bran, o famoso Castelo do Conde Drácula. E além disso aprendemos muito sobre a história dos lugares; o tour é todo em inglês, mas eles disponibilizam um App que você baixa em casa que te conta toda em español e você pode ver no mapinha itinerante todos os lugares pelos quais você vai passar.

Então partindo de Bucarest, a primeira parada é em Sinaia, número 7 no mapa. Sinaia é considerada a pérola dos Cárpatos, cordilheira que predomina na península dos Balkans. É a Campos do Jordão da Romênia, a porta de entrada da região montanhosa da Transilvânia, com seus resorts de montanha e trilhas para caminhada. A cidade é super turística e cobiçada pelos locais desde a época da realeza que a escolheu como reduto de verão.

Na verdade o que introduziu o turismo na região foi a construção da Residência de Verão dos Reis da Romênia e da Estação de Trens e uma grande presença de fontes minerais e sulfurosas utilizadas no tratamento de várias doenças.

Com essa introdução fica fácil concluir que a atração número 1 da cidade é visitar a residência real, o Castello de Pelles, construído pelo primeiro rei romeno, Carol I da dinastia alemã dos Hohenzollen que governou a romênia até 1947 quando se declarou o país adotou a república.

O Castelo de Pelles é o segundo castelo mais visitado do país (só perde para o de Bran) e, na minha opinião, é um dos mais bonitos que já visitei. A decoração e arte interior é um desbunde!

Foi inaugurado oficialmente em 1881 e desde então sofreu várias reformas até a morte de Carol I em 1917. Ele conta com 160 quartos, 30 banheiros e várias escadas e passagens secretas. Em seu interior reina a simetria tanto nas colunas, figuras quanto nos móveis e tapetes.

Ao lado o rei Carol I ordenou a construção do Castelo Pelisor, uma réplica em menor escala do Castelo de Pelles para seu filho e esposa.

Além de uma pequena central hidrelétrica própria! Isso mesmo, ele foi o primeiro castelo eletrificado da Europa. Ele tinha instalações super modernas para a época, como por exemplo, desde 1883 conta com calefação, as lareiras são meramente decorativas, um elevador elétrico para duas pessoas, para que os reis subissem a seus aposentos e um sistema de sucção central para renovar o ar e aspirar o pó

O Castelo continuou sendo propriedade da família real até 1948 quando foi confiscado pelo regime comunista e os reis exilados. Em 1953 foi aberto ao público como museu.

Uma lenda que circula por lá é que o ditador Ceaucenscu quis viver no castelo, mas os museólogo, devido a sua fama de que tudo mandava destruir, inventaram que um fungo havia infestado as madeiras do castelo e que fazia muito mal a saúde. E assim o castelo foi salvo!

Mas foi somente com a queda do Comunismo em 1989 que os Castelos voltaram a ser visitados turisticamente e devolvidos à familia real.

As salas que mais gostei foram a Sala de Armas, A Biblioteca com passagens secretas e o Salão real com seus lindos lustres de murano.

O palácio tinha também seu próprio teatro com as primeiras pinturas de Gustav Klint, um famoso pintor austríaco.

A dica é chegar cedo porque a fila depois das 10:00 fica enorme. Você pode comprar o ingresso lá mesmo. A entrada gira em volta de 35 lei, mais ou menos R$35, mas no nosso tour estava incluída. Agora é possível tirar fotos grátis com o celular, mas se quisee tirar com máquina fotográfica é preciso pagar 10 Lei.

Nossa próxima parada foi na super fofa cidade de Brasov, tipicamente medieval, com muitos edifícios históricos conservados, uma muralha e ruazinhas estreitas. Descemos na Praça do Conselho, a principal da cidade e tivemos 1,5 horas livre para almoçar.

Estávamos a fim de uma comidinha típica e escolhemos o acertadíssimo La Ceaun enainda demos a sorte de pegar uma mesinha bem no janelão com uma maravilhosa vista para a praça e suas casinhas coloridas.

Atendimento e comida maravilhosa. Comemos como reis uma comida de lamber os dedos. De entrada pedimo um pão de batata da casa com três patês típicos: um de feijão, outro de pisto de legumes e o último de ovas de peixe. Um melhor que o outro.

Para o prato principal eu fui de rolinhos de folha de repolho recheado com arroz e carne de porco acompanhado por polenta (bastante comum por lá) e o Rogério um goulash que estava maravilhoso. Para beber vinho branco romeno e uma cervejinha feita na Transilvânia.

Satisfeitos saimos para dar uma voltinha pela cidade. Começamos pela Torre do Conselho e seu símbolo de uma coroa com raízes. Sobre esse símbolo há uma lenda que explica o nome alemão da cidade, chamada de cidade da coroa. Reza a lenda que o rei Salomão havia sido amaldiçoado por sua mãe, depois de matar seu irmão, e para fugir da maldição fugiu a cavalo. Em uma curva seu cavalo caiu pelo precipício e ele se agarrou nas raízes de uma árvore e aí ficou sua coroa antes de sua queda.

A Torre, que integra o edifício da antiga prefeitura era utilizada como torre de observaçao e também como prisao. A Pracinha do Conselho é o lugar ideal para admirar a beleza dos edifícios medievais e bem no centro, na Idade Média, bruxas eram queimadas vivas!

A cidade de Brasov foi fundad em 1234 como um importante centro comercial porque fica justo na rota entre a Europa Oriental e a Europa Ocidental.

Antigamente ela era cercada por um muro fortificado com duas torres de observacao, uma branca e outra negra, que hoje fazem parte do Museu de História e oferecem uma vista panorámica à cidade.

Também ao lado se pode ver o Portao de Santa Catarina que era a porta de entrada da cidade e que por muito tempo foi a única conexao com o mundo exterior.

Outro ponto que nao passa desapercebido é a Igreja Negra, que domina centro medieval de Brasov, e leva esse nome devido a um incendio que queimou quase toda a cidade em 1689. O incendio escureceu suas paredes e destruiu 3 dos seus 6 campanários. Ela levou quase 100 anos para ficar pronta e nasceu como Igreja Católica e posteriormente se converteu em Evangélica, no século XVI, depois de uma missa rezada por um padre protestante alemao.

O seu maior tesouro é uma coleçao de tapetes turcos e da ásia menor dos séculos XVI e XVII que além de testemunho de fé tem uma funçao prática de melhorar a acústica da Igreja.

A tradiçao dos tapetes surgiu porques os negociantes da época, depois de voltarem de suas viagens ao Oriente e completado seus negocios por aí, doavam um tapete para à Igreja como agradecimento a Deus por suas conquistas.

De Brasov partimos para a cidade de Bran onde fica o legendário Castelo do Conde Drácula que conto mais sobre ele aqui.

 

 

Europa · Romênia · Transilvania

Transilvânia: Drácula realmente existiu?

O famoso Castelo do Conde Drácula, ou Castelo de Bran ganhou fama mundial com a publicaçao do livro “Drácula” do escritor irlandês Bram Stocker. Mas Drácula realmente existiu?

Sim e nao. Para entender a história, olhemos no mapa abaixo. Antes de converterse em um reino unificado da Romênia, ela era dividida em três pequenos reinos (como a mioria dos países europeus, daí a origem de tantos dialetos): a Valáquia, a Transilvania e a Moldávia.

Drácula, na verdade foi Vlad Tepes, o prícipe da Valáquia entre 1456 e 1462. Seu pai, da Dinastia dos Basarabs que conseguiram a independencia da Valaquia contra a Hungria, era da Ordem dos Cavaleiros Templários da Alemanha.

O símbolo dos cavaleiros é o Dragao, mas que na Romenia, significava Diabo. Portanto, seu nome, levava o título Draculea (Vlad Draculea) que provenia da Ordem dos Cavaleiros Templários, na verdade.

Como se pode notar pelo mapa acima, a Valáquia sofria constantes ataques do Império Otomano e devido a um acordo entre Reis, ele foi dado como refén ao Império Otomano até os 19 anos. Quando voltou para casa, encontrou seus pais mortos e empalados.

Daí começou a surgir a história que inspirou a Bram Stocker. Vlad foi coroado Rei da Valáquia, e era conhecido por seu carácter duro contra os enemigos, de quem defendia com unhas e dentes seu país, prinicpalmente contra as invasóes do Império Otomano.

Ele é considerado um herói na Romênia, mas como foi assim declarado pelo ditator Ceaucescu, tenho minhas dúvidas se isso é totalmente verdade…

Seu gênio ruim aliado à sua técnica preferida de tortura de seus enemigos, o empalamento, lhe rendeu o apelido carinhoso de Vlad, O Empalador. Diz a lenda que ele costumava jantar assistindo a morte de seus enemigos empalados e que até molhava o pao em seu sangue, dái a lenda da estaca de madeira e que de ele comia sangue.

Mas e o morcego e o alho? Bom a regiao da Transilvania é bastante montanhosa com varias cavernas infestadas por morcegos, daí conectar o morcego vampiro com uma pessoa que come sangue nao é difícil. O alho, além de ser base da culinaria da Romenia, é tido pelo povo como amuleto que afasta o mal.

E por que a Transilvania, se Vlade era príncipe da Valáquia? Bom, primeiro porque Vlad Tepes nasceu na Transilvania, na cidade de Sighișoara e depois, conta a história, que o escritor Bram Stocker nunca havia saído da Irlanda. Ele havia lido livros sobre a Romênia e o Castelo de Bran estava na capa de um deles. Entao daí a ideia de associar esse Castelo ao Conde Drácula.

Portanto, o Castelo de Bran, é o Castelo de Drácula somente na ficçao, porque sabemos que seu Castelo Original ficava na Valáquia, onde hoje é Bucareste, na Cortea Veche, e só há ruinas.

O Castelo do Drácula de Bram Stocker foi construído como uma fortaleza medieval pelo Rei Húngaro no século XIV com dois propósitos: defender a Transilvania das invasoes Otomanas que ameaçavam a regiao e também como ponto de cobrança de tributos para garantir a rota comercial dos carpatos; o lugar servia para recopilar impostos na fronteira da Transilvania com a Valaquia, e era propiriedade dos cidadaos de Valaquia.

O auge do castelo veio em 1920 quando ele foi entregue à Reina Maria da Romênia, como reconhecimento a sua atuaçao como enfermeira na 1ª guerra em 1918 e também por sua postura sempre defendendo seu país. A rainha Maria iniciou entao a restauracao da fortaleza equipando-a com água corrente, 3 telefones, elevador e uma pequena central hidrelétrica, na qual os cidados podiam conectar-se e receber energia em suas casas. Ela também construi vários anexos como um Salao de chá, uma capela entre outros.

Esse palácio era seu segundo lar, mas com a implantaçao da República e do Regime Comunista o Palácio foi confiscado pelo estado, em 1947, e passou para a administraçao pública. Somente 10 anos depois é que ele foi convertido em museu. Ele faz parte de los Top 10 Castelos mais bonitos de Europa e é o lugar mais visitado da Transilvania, cujo roteiro escrevia aqui.

A cidadezinha de Bran é bem charmosinha e antes da entrada do Castelo há uma mini praça de alimentaçao coberta e atravessando a rua um mini mercado de rua com várias comidinhas típicas, artesanato, queijos e souvernirs.

Entrada do Mercadinho Medieval en Bran
Trdelnik, docinho delicioso típico nos países do leste
Os famosos ovos de Páscoa pintados a mao da Romenia