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Bucareste: a grande supresa da Romênia

Eu sempre tive curiosidade de conhecer a Romênia, principalmente a região da Transilvânia, porque eu sempre adorei uma hitória/ série vampiresca, desde de literatura infantil quando eu era pequena, eu li “Draculinha no Pantanal” umas cem vezes passando pelo Dracula do Bram Stocker (quem mais estudou na Cultura Inglesa?) até todas as séries de Tv relacionadas ao tema. A minha vontade se intensificou depois que passamos um tempo em Frankfurt e fiz amizade com uma romena. Assim que passei a sempre estar de olho em uma oportunidade de tempo+passagem barata para visitar a região e foi assim que nessa Páscoa realizamos esse desejo.

Para chegar a Transilvânia, é indispensável passar pela capital do país, Bucareste, que é bastante bonitinha e vale passar uma noite por lá sim. Eu não esperava muito e me surpreendi bastante com seus edifícios neo clássicos de influência francesa e seu Arco do Triunfo quase igual ao de Paris, afinal a Romenia sempre foi conhecida como a Paris do Leste e dizem que em 10 anos ela estará tão cara quanto Praga ou Zagreb. Então agora é o momento para visitá-la.

A Romênia fica nos Balkans, uma península que reúne a Croácia, a Sérvia, a Grécia, a Turquia, a Bosnia, Montenegro, Eslovênia entre outras jóias do Leste Europeu e que pelas referência já dá para imagina o tipo de paisagem que se encontra por lá. O nome da Península vem de uma enorme cadeia de montanhas que começa na Bulgária e vai até o Mar Negro.

A península é banhada de um lado pelo Mar Adriático (Grécia e Croácia) e do outro pelo Mar Negro (Turquia e Bulgária). A Romênia não tem saída para o mar, não espere praias, mas tem uma cultura riquíssima, herança da época de domínio do Império Otomano, por isso essa parte da Europa também é conhecida como a Europa Turca.

Um pouco da história…

A Romênia conseguiu a independência do Império Otomano em 1877 e seu primeiro rei foi Carol I, você vai ver várias estátuas sua espalhadas pela cidade. Sua capital, Bucareste, foi fundada em 1479 pelo famoso príncipe Valaco, o lendário Conde Drácula ou Vlad Tepes para os íntimos cuja lenda, criada pelo escritor Bram Stocker, move o turismo do país. Você vai vê-lo muito por lá também!

Toda sua fama de Paris do Leste veio do período entre guerras quando a Romênia iniciou uma aliaça econômica com a Alemanha e a França e começou a receber uma grande influência francônica na sua arquitetura, cafés e livrarias.

Essa herança foi parcialmente destruída pelos bombardeios da Segunda Guerra, por dois grandes terremotos e pelo seu período mais negro, a época comunista, com o auge da opressão do ditador Nicolae Ceaucenscu, época em que a população romena mais sofreu enquanto ele construía obras faraônicas como o gigante edifício do Paralamento de Bucareste. Imaginem que nessa época as ruas era todas de terra, e isso era 1980!

Mas a população se levantou contra o governo e o regime comunista conheceu seu fim em 1989 com uma grande e sangrenta revolução que se iniciou na Praça da Revolução em que o ditador e sua mulher foram capturados, julgados e condenados a morte.

Alguns dados importantes…

A moeda da Romênia é o Leu (plural Lei) que vale mais ou menos como o real ou 4,5€. Ela faz parte da União Européia desde 2007, mas não faz parte do Acordo Schengen, por isso, não está na área de livre circulação da Europa e é preciso passar pela imigração sim, mesmo chegando de dentro da Europa. Brasileiros ou europues, entretanto, não precisam de visto prévio para entrar, na própria imigração te fazem perguntas e te carimbam o passaporte.

Ela também ainda não adotou o Euro e vou te dar uma dica, não troque seus Euros em nenhuma casa de cambio, saque pelo ATM/ caixa automático lá diretamente. Tem em todo lugar: no saguão do aeroporto, na entrada de cada hotel, por isso não se preocupe! E atenção: nenhum lugar aceita Euro, nem os hotéis, por isso troque o dinheiro.

Os táxis não tem muito boa fama, então preferi reservar um tour para nos levar do aeroporto ao nosso hotel pelo preço de 15€. Contratamos o Christian Tranfer online e quando chegamos o motorista estava nos esperando no desembarque com uma plaquinha com nosso nome. Na volta fomos ao aeroporto de táxi e nos custou 30€, e com o transfer sairia os mesmos 15€…

A Romênia é um país pobre, um dos mais pobres da Europa, mas depois de 20 anos sem comunismo, ela está se reerguendodas cinzas, o turismo vem crescendo, tem gente jovem nas ruas, uma noite vibrante, criminalidade baxíssima e o que restou dos seus tempos de glória é mais que suficiente para manter sua aura de glamour.

Além disso, todo esse crescimento está atraindo nova construções, novas lojas e supermercados, centros de compras e muito progresso.

Mas não se iluda, longe dos seus cartões postais, Bucareste é uma grande museu a céu aberto do comunismo, principalmente em seus bairros mais pobres com carros velhos e os típicos blocos de casas do governo.

Roteiro para um dia

Nós ficamos em um hotel super bem localizado o Europa Royale Bucharest, em pleno centro antigo, onde está tudo o que você vai querer conhecer por lá e bastante bom. Aliás vale mencionar que Bucareste é dividida em 7 setores ao redor do Centro Histórico (que está englobado pelo setor 1) em sentido cronológico e a maioria das atrações, restaurante e hotéis estão no setor 1. Recomendo ficar por aí entre as estações de metrô Unirii, Universidade e Praça Romana.

Os quartos são grande e reformados, tem ATM na porta, e desemboca bem na rua mais antiga da cidade, a Strada Franceza, onde estão as ruínas da primeira corte real de Bucareste no século XV, a Curtea Veche, de quando o príncipe Vlad Tepes, vulgo Drácula, fortificou a cidade antiga e a declarou residência real.

Hoje só restaram as ruínas e o busto do príncipe mais famoso da cidade além da Igreja da Anunciação, que era a Igreja frequentada pela família real.

Ao lado fica o restaurante Hanui Lui Manuc, bem turistão, como música romena ao vivo, com comida regular, mas o que vale visitar é que ele é o prédio mais antigo da cidade, depois das Igrejas, claro, construído em 1808 como pousada e restaurante para os viajantes da época.

Não precisa subir ao restaurante, no andar térreo, no nível da rua, há um pátio a céu aberto onde você pode provar uma típica cervejinha romena, afinal estamos no Leste Europeu!

Dali caminhamos até a Praça Unirii que me surpreedeu em todos os sentidos. Oh praça bonita!

Ela foi contruída durante a época comunista, já mencionei a megalomania do ditador, e abriga um jardim de tulipas (fomos na primavera) e uma fonte monumental dentro de um grande lago, um dos cartões postais mais bonitos da cidade!

Para quem gosta de compras ao lado há o Shopping Unirea, com preços bem legais para que vem do Brasil, para mim, bem parecidos aos que encontro aqui em Barcelona.

Da própria praça você avistará ao longe o edifício do Parlamento de Bucareste, no alto da colina Spirii, o segundo maior edifício administrativo do mundo, só perde para o prédio do Pentágono, com 340 mil m2!

Ele começou a ser construído em 1985 pelo ditador Ceausescu que causou a demolição de mais de 7000 casas. Ele foi terminado depois da morte do ditador e desde 1996 abriga a Câmara dos Deputados. em 2004 foi construído um anexo de vidro que abriga o MNAC, o Museu Nacional de Arte Contemporâneo.

Ele pode ser visitado por dentro, mas é preciso agendar com bastante antecedência pelo próprio site do parlamento.

De lá caminhamos para a Strada Victoriei, a principal avenida da cidade, onde está o coração da cidade. Desembocamos na altura da rua Lipscane, que é o point do centro histórico de Bucareste e aproveitamos para visitar o Monastério Stavropoleos, um monastério ortodoxo para monjas (85% da população romena é ortodoxa) cujo destaque é seu coro bizantino e sua biblioteca com mais de 8000 livros.

Ele é de 1724 e hoje só restou a igreja, antes havia uma hospedagem para viajantes, mas o legal é que sua antigas ruínas estão expostas no seu pátio externo.

De lá aproveitamos para dar um pulo na Livraria Carrussel, a mais bonita do centro antigo, que já foi um banco e uma loja de departamentos.

Quem tiver pouco tempo na cidade invista a fichas nessa rua e arredores, é tiro certo!

Nessa rua, além de vários edifícios históricos, você encontrará uma imensidão de cafés e restaurantes.

Mas nós tinhamos destino certo, o Caru’cu Bere, um antigo restaurante que funciona desde 1879 em um edifício lindo adornado com vitrais, afrescos e piso de mosaico. Essa cervejaria é uma instituição da cidade e o lugar ideal para provar uma comidinha típica ao som de violinos ao vivo!

Nós fomos de Costela assada, Mitittei (uma espécie de kafta condimentada) e Ciorba, uma sopa de feijão com carne defumada servida dentro de um pãozinho de batata deliciosa!

Para beber Palinca, uma espécie de vodka de damasco muito boa e de sobremesa, pedimos uma bem típica a papanasi, uma espécie de donut com calda de caramelo e uma frutinha parecida com cranberry e iogurte coroado por um bolinho de chuva. Simples e gostosa!

Ao sair, viramos à direita na Passajul Macca Vilacrosse que é um famosa rua em formato de garfo de churrasco, porque no meio tem um hotel que não quis vender o terreno, coberta com telhas amarelas e que se transformou em uma pequena galeria, uma das mais requisitadas para tomar um café e fumar narguilê, afinal a influência turca é forte.

As duas passagens desembocam na rua Victoriei em frente ao Palácio CEC que é a sede do Banco Nacional da Romênia. Demos a sorte de que naquele fim de semana estava acontecendo o Festival de Luzes da cidades e todos os prédios históricos estavam recebendo projecões coloridas.

Bem em frente fica o Museu Nacional de História da Romênia (Calea Victoriei, 49-53, 4a/dom 10h/18h 2€).

Por ali você também encontrará a Passejul Victoriei, a ruazinha de pedestres mais instagramada de Bucareste e que como em outras grandes capitais como Paris, Londres e Dubai foram instalados dezenas de guarda-chuvas coloridos. Tem até fila para tirar foto.

Continuamos o caminho até o Ateneo Romano, um auditório em estilo neo clássico, construído em 1885 pelo arquiteto francês Albert Galleron.

Logo na entrada está a estátua do poeta romeno mais famoso do país, Mihai Eminescu. O edifício é a casa da Orquestra Filarmônica de Bucareste e só pode ser visitado se você der sorte de passar por lá quando os músicos estiverem ensaiando. Como era Páscoa tivemos a sorte de ver um concerto que estava sendo transmitido ao vivo!

Atravessando a rua você encontrará a confeitaria mais badalada da cidade, a French Revolution, especializada em eclairs. Não deixe de ir!

Seguimos para a Piata Revolutiei ou Praça da Revolução onde fica o Memorial do Renascimento, um imenso obelisco, que representa os mortos durante a repressão da ditadura com o nome de cada um deles gravados na pedra.

A praça abriga o ex- Palácio Presidencial, de onde Ceaucescu fez seu último discurso antes de ser capturado, e que hoje abriga o Senado Nacional e o Hotel Athenee Palace, o hotel 5 estrelas mais chique da cidade.

Terminamos o dia no restaurante Hanui lui Manuc que achamos regular, mas é bem famosinho por lá, talvez não demos sorte com a escolha do prato.

Indico, ao invés, ir no Noa restoclub (Calea Victoriei, 26) que tem alguns pratos típicos e outros com versões fusion e drinks variados. Se conseguir sentar do lado de fora, ainda melhor!

Depois do jantar demos uma volta pelo centro histórico para conhecer um pouco da famosa noite de Bucarest e o negócio é punk.

A boates tem todas caixas de som do lado de fora e a balada rola dentro e na rua ao mesmo tempo. Além disso, entre uma baote e outra há pequenos bordéis com vitrines, estilo Amsterdam, nas quais as moçoilas fazem suas sexy-east-european-performances, afinal a maioria das prostitutas de Amsterdam são “importadas” dos países do leste.