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Bebendo estrelas no Vinhedo da Chandon no sul do Brasil

Para visitar a Vinícula Chandon de Garibaldi não fiz reserva com antecedência, pois havia verificado no site que as visitas ocorriam diariamente de hora em hora. Então só anotei o horário da primeira e da última visita para poder fazer a programação do dia.

Chegamos para a última visita às 16h e ainda tivemos que esperar um pouco até que todos que haviam feito reserva chegassem. Confesso que a espera não foi nenhum sacrifício, pois foi alternada entre o champagne bar de onde começa a visita e o terraço que proporciona vista panorâmica de toda a propriedade que é imensa! São vários jardins hiper bem cuidados, as vinhas e a fábrica em si.

Iniciamos o tour com um vídeo que conta a história da Chandon no Brasil que se deu em 1973 com a abertura da vinícula de Garibaldi, que hoje é líder de mercado de espumantes no país. O terroir de Garibaldi é propício para o cultivo das mudas de de Pinot Noir e Chardonnay trazidas diretamente da França.

Passamos então pelo laboratório químico onde são ‘testadas’ as várias fómulas do espumante: sec e demi sec, chamada de ‘Assemblage’, ou mistura, que é o grande segredo da Chandon: harmonização de diversos vinhos de diferentes safras e uvas até chegar ao vinho base ideal.

Fomos até a sala onde os vinhos são fermentados em tonéis de inox e pudemos experimentar o vinho base da Chandon ‘direto da fonte’, ou seja, sem nenhum ‘sabor’ adicionado. Experiência única.

Enquanto tomávamos o espumante, a enóloga explicou todo o processo de vinificação do espumante. É usado o método ‘Champenoise’ em que o espumante termina de fermentar dentro da própria garrafa.

Assim que atinge o tempo certo, a garrafa é aberta e é colocado uma espécie de licor  (mais doce ou mais seco) que ‘personaliza’ o espumante e cria as diversas versões que conhecemos: sec, demi sec, passion (mais doce e exclusiva do mercado brasileiro) entre outras.

No final  vem a melhor parte! Voltamos ao Champagne Bar onde pudemos degustar ‘todas’ as versões do espumante. O bar também vende os espumantes por um valor bem inferior ao que encontramos em São Paulo.

 

Chandon do Brasil Vitivinicultura Ltda.

Rodovia RST 470, Km 62
Visitação: De segunda a sexta: das 8h às 11h30min e das 13h às 16h30min. Sábado: 9h30min às 14h30min

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Como organizar sua viagem pelo Vale dos Vinhedos

O chamado Vale dos Vinhedos compreende áreas dos municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul, a cerca de 130 km de Porto Alegre a uma altitude de 650 metros. Próximas dali, as cidades de Flores da Cunha, Caxias do Sul e Farroupilha também são importantes produtoras de uva.

Principal produtora de vinhos e espumantes do Brasil, a região do Vale dos Vinhedos obteve em 2007, o reconhecimento, pela União Europeia, de seu Selo de Indicação de Procedência. Em 2012 o INPI concedeu ao Vale dos Vinhedos o primeiro registro de Denominação de Origem (DO) para uma região produtora de vinho no Brasil.

Desde então cresceram a participação e a premiação dos vinhos gaúchos em concursos internacionais. O know-how é longo: a primeira cooperativa vinícola brasileira surgiu ali, nos anos 30 do século 20 em Caxias do Sul e região.

Os vinhos

A produção do Vale dos Vinhedos, onde ficam as principais adegas do país, oscila entre 12 e 14 milhões de garrafas de vinho por ano. A Denominação de Origem representa mais um passo na proteção e regulamentação da produção de vinhos da região e permitirá às adegas ter um selo que reconhece a identidade regional do produto.

Demonstra que o produto é um patrimônio regional e segue uma série de normas desde o cultivo dos vinhedos até o método de fabricação o que inclui indicações no percentual das misturas, os limites na produtividade dos terrenos e na graduação alcoólica do vinho. Os vinhos tintos deverão usar principalmente a uva merlot e variedades auxiliares como as uvas cabernet sauvignon, cabernet franc e tannat.

Os vinhos brancos reconhecidos são de uva chardonnay, com riesling itálico como única variedade auxiliar, enquanto os espumantes brancos e rosados conterão chardonnay e/ou pinot noir como variedades principais e riesling itálico como variedade auxiliar. Os espumantes devem ser elaborados somente pelo “método tradicional”, com a segunda fermentação na garrafa, segundo as regras da Aprovale (Associação de Produtores de Vinho Finos do Vale dos Vinhedos).

A Aprovale conta com 31 adegas associadas, todas elas localizadas nos municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul, localizados Serra Gaúcha, uma zona de clima temperado.

Onde ficar

Toda essa tradição ampliou os roteiros turísticos e criou uma diversificada estrutura de hospedagem. Há pousadas simples ou luxuosas, hotéis com instalações modernas e o sonho de consumo de qualquer amante do vinho: a hospedagem na própria vinícola, com vista desde a janela do quarto para as curvas sem fim dos parreirais, que ficam especialmente animados na época da colheita, de janeiro a março.

Os mais conhecidos são o Spa do Vinho (em frente à Vinícula Miolo), o Hotel Villa Michelon e a Casa Valduga e a Pousada Cantelli super charmosa localizada nos Caminhos de Pedra.

Escolhemos o Hotel Villa Michelon pelo melhor custo-benefício e foi uma decisão acertada. O hotel tem uma área verde enorme, com vinhedos, jardins bem cuidados, lago, piscina e trilhas.

Ele tem uma ótima estrutura para crianças também. O café da manhã é bem servido com várias opções típicas da região. É ideal para famílias.

– Transporte

Para quem vem de longe, a maneira mais fácil de conhecer o lugar é alugar um carro já no aeroporto de Porto Alegre. Uma das locadoras que mais gosto no Brasil é a Movida que, na minha opinião, oferece as melhores tarifas e benefícios. Um carro permite circular entre as dezenas de vinícolas localizadas nas rodovias e “linhas” e ainda conhecer as casas e sobrados dos Caminhos de Pedra, projeto que preserva as origens dos primeiros imigrantes italianos, erguidas no final do século 19 e começo do século 20.

 

Uma alternativa de transporte são os traslados das agências de receptivo, cujos passeios de um turno ou dia inteiro propõem uma combinação de vinícolas, restaurantes, lojas e lugares históricos. Dá para misturar tintos, brancos, espumantes e grappas nas degustações, sem medo de precisar dirigir na volta.

– O que fazer e Quando visitar

No extremo Sul, cada estação do ano traz temperaturas diferenciadas. Visitar as vinícolas de junho a agosto agrega o charme extra da neblina e do frio, convidando os visitantes a se demorarem diante da fartura das refeições nas cantinas. Nós visitamos a Don Laurindo, a Miolo e a Chandon.

As temperaturas amenas do outono e primavera facilitam as trilhas a pé, de bicicleta e o circuito das atividades ao ar livre no Vale do Rio das Antas, especialmente o rafting. Os meses de calor tornam mais atraentes a Rota dos Espumantes, e quem visita o Vale dos Vinhedos de novembro a janeiro pode esticar a viagem até Gramado e Canela, a 118 km, para conferir a decoração ultraespecial do Natal Luz.

Outra opção de passeio é o trajeto de uma hora e meia da Maria Fumaça que percorre o trecho entre Bento Gonçalves e Carlos Barbosa, em que atores, músicos e dançarinos interagem com os passageiros e a famosa visita à fábrica da Tramontina.

 

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Bento Gonçalves | Degustaçao de vinhos nas Vinículas Dom Laurindo, Miolo e Casa Valduga

Quando fizemos o planejamento de quais vinículas queríamos conhecer em Bento Gonçalves, escolhemos algumas renomadas de que gostamos bastante como a Miolo, a Chandon e a Casa Valduga, mas também fazíamos questão de conhecer uma vinícula mais familiar e foi aí que a Dom Laurindo entrou.

Conversando com alguns amigos tivemos ótimas recomendações e acabamos optando por essa pequena vinícula familiar como nossa primeira parada na Rota dos Vinhos. Para ajudar na definição de quais vinículas você quer visitar, visite o site da Aprovale e veja o mapa interativo da região. Você pode então escolher as que mais quer visitar ou as mais próximas do seu hotel conforme for melhor para você. Inclusive tem algumas indicações dos restaurantes mais conhecidos.

Ela é bem pequena e toda a explicação da sua história acontece logo na entrada onde ficam os barris de madeira com os vinhos fermentando. A seguir seguimos para a loja onde é feita a degustação e você pode levar alguns exemplares para casa. Gostamos bastante do Merlot (linha Premium) , o Tanah (eleito o melhor vinho do Brasil) e o Colheita Tardia (de sobremesa).

Ao contrário das vinículas de Mendoza, em que na maioria não se consegue nem entrar sem reserva, as vinículas do sul são mais tranquilas e recebem quem chegar, é só se ‘enfiar’ em alguma visita que esteja começando. Até tentei reservar de São Paulo, mas só obtive resposta da Casa Valduga.

A visita mais esprada foi na Vinícula Miolo que é uma das mais famosas da regiao. Justamente por esse motivo, o ponto negativo é que muitas excursões param lá e o lugar fica muito cheio. Entramos na recepção, pagamos a taxa que inclui visita + mini curso de degustação dado por uma das enólogas do lugar.

Passamos pelos lugares onde acontecem todas as etpas de vinificação desde a colheita, onde é explicado quais as vinhas que mais se adapataram ao terroir brasileiro, até a fermentação e engarrafamento.

Eles também produzem espumantes e os mais tops são feitos pelo método Champenoise, assim como os da Chandon (Veja o post aqui).  Dentre os espumantes os que mais gostamos foram a linha Cúvee (excelente) e o Moscatel cujas uvas são cultivadas no Nordeste.

Um fato interessante é que o Galvão Bueno possui sua própria vinícula cujas uvas são enviadas para a Miolo, que faz o processo de vinificação dos seus vinhos e os comercializa através da Linha Bueno.

No final fizemos o curso de degustação em que a enóloga ensina algumas técnicas básicas para apreciar um vinho corretamente. Ela ensina a analisar características da cor, do cheiro e do gosto e dá dicas de harmonização. Adoramos!

Todos os vinhos degustados podem ser comprados na loja, claro, mas o atendimento é excelente e inclusive você pode experimentar todos os vinhos que quiser antes de decidir qual comprar. Até mesmo as edições especiais podem ser degustadas.

E a loja é enorme e repleta de opções. Além dos vinhos, há uma variedade enorme de acessórios, queijos, geléias, biscoitos coloniais e uma linha de licores premium excelentes – o de chocolate com amêndoas parace chocolate derretido.

Um detalhe do atendimento é que eles têm um sistema de entrega/ envio para qualquer cidade do Brasil. Então enquanto você compra, o vendedor te acompanha e anota todos os vinhos que você quer, além de trazer as amostras para degustação. No final, eles embalam e enviam tudo para sua casa, não precisa se preocupar com excesso de bagagem . O frete para São Paulo é de R$30 a cada 6 garrafas. Nossa encomenda chegou intacta em 15 dias. Aprovamos!

A Vinícula Casa Valduga é uma das melhores vinículas do sul e achamos na medida certa entre industrial e familiar. O ambinete rústico é extremamente acolhedor, e a loja de vinhos é incrível com um Wine Bar recheado de opções. Há ainda um pequeno vinhedo em que se pode passear, fazer piquenique e relaxar.

Eles oferecem um cursos de vinhos gratuito para os hóspedes e que também pode ser frequentado por não hóspedes. Basta fazer a reserva pelo site. Infelizmente, como nosso vôo do dia anterior atrasou, tivemos só um dia para conhecer as vinículas que tínhamos escolhido então optamos por não fazer o curso que leva a manhã toda.

Entretanto almoçamos no restaurante Maria Valduga, que fica dentro da Vinícula e foi um dos melhores da viagem. É importante fazer reserva no site e como não tínhamos feito tivemos que esperar uns 20 minutos por uma mesa. O restaurante, assim como toda a vinícula , é lindo. No estilo rústico-chique há opções dos vários vinhos da vinícula e antepastos deliciosos.

O cardápio do restaurante é o típico do sul: rodízio de massas, polenta e galeto, mas com toque gourmet. As massas são todas artesanais com os molhos naturais e delicados. O galeto, a raclete (carne moída típica do sul) e a costela são acompanhados por molhos agridoces e geléias picantes. A polenta na chapa fica tostada no ponto ideal. Para a sobremesa há a opção de Pudim de Leite ou Sagú com Creme, que eu adoro. Recomendamos de olhos fechados! Escolha acertadíssima, comida boa e paisagem maravilhoso!

Nossa seguinte parada foi na Vinícula Chandon e contod tudo nesse post aqui.