Espanha · Zaragoza

Roteiro de 1 dia em Zaragoza

Zaragoza começou a tomar notoriedade no século 14 a.C. quando foi transformada em um assentamento para soldados veteranos do Império Romano. Ela rapidamente se tornou um importante porto comercial que ligava Roma à sua Província Hispania. Foi chamada de Cersaraugusta em homenagem ao Imperador César Augusto e teve seu apogeu nos séculos I e II quando ganhou a maioria dos seus edifícios como o Foro Romano, o porto, os banhos públicos, o teatro e o anfiteatro – além da sua própria muralha de defesa – tudo o que uma cidade romana por excelência necessita!

Por volta do ano de 714 ela foi invadida pelos muçulmanos (daí vem seu nome – do árabe Saraqusta) que a transformaram em uma das mais importantes cidades comerciais da época com sede no Palácio de la Alfajería.

Foi somente em 1118 que ela voltou às mãos dos cristãos com Afonso, o Batalhador, e se tornou capital de Aragão. A partir daí vária igrejas começaram a ser construídas, dentre elas a mais famosa, a da Nossa Senhora do Pilar.

Todo esse passado e mistura de culturas deixou um legado histórico e arquitetônico impressionante na cidade o que faz com que ela, além de classificada como uma das mais bonitas da Espanha ganhase o nome de Senhora das Quatro Culturas. Nós tivemos a sorte de visitá-la na Semana Santa, em pleno Domingo de Páscoa, considerada uma das maiores festas da Espanha.

Começamos a visita pelo ponto alto da cidade: a Praça e Basílica do Pilar, definitivamente um dos lugares mais bonitos que já visitei.

Construída em 1515, em cima de um antigo templo romano, a Basílica do Pilar, é um dos principais templos barrocos da Espanha e só foi totalmente terminada em 1950 depois do levantamento das últimas torres de decoração da fachada de pedra.

A vista é gratuita, somente é preciso pagar para subir na Torre.

O seu interior é belíssimo: são três naves decoradas com pinturas clássicas, pilastras e anjinhos.

Nossa Senhora do Pilar, Zaragoza

O grande destaque fica por conta da Santa Capilla que é uma capela dentro da Igreja onde está colocada a Imagem da Nossa Senhora do Pilar dentro de um envoltório de prata de mármore verde em cima de uma coluna de jaspe.

Com o manto no dia 1 de abril

Aliás a lenda conta que essa coluna foi entregue pela Nossa Senhora à Santiago (de Compostela) – na época ainda Apóstolo de Jesus – no momento em que sua fé começava a fraquejar e ele se perguntava se valia a pena seguir tentando converter os habitantes de Cesaraugusta ao Cristianismo. Nossa Senhora teria aparecido em “carne”, pois ainda vivia em Jerusalém, e lhe entregou a coluna sobre a qual se deveria construir um templo, representando a fé inabalável.

Essa cena está representada em duas das pinturas do altar: a primeira representa a “Vinda da Virgem diante de Santiago”, obra de José Arellano e a segunda do pintor Antônio Velazquez “A vida da Virgem e a construção da Santa Capela”.

Essa aparição aconteceu no dia 2 de janeiro do ano 40 d.C. e por isso todo dia 2 de cada mês o manto que reveste a Nossa Senhora e cobre a coluna de jaspe é retirado. Demos tanta sorte de estar ali em um Domingo de Páscoa e ainda por cima poder volta na segunda-feira, que era dia 2 de Abril e ver a coluna sem o manto. Aliás a Basílica tem uma coleção de mais de 300 mantos confeccionados pelas Madres Capuchinas de Zaragoza desde 1762!

Sem o manto no dia 2 de abril

De frente para o altar só se vê a placa de mármore que cobre a coluna de jaspe, atrás do altar da Santa Capilla está o Humilhadeiro, uma abertura na parede que dá acesso à coluna de Jade que deve ser “beijada” enquanto você faz seu pedido. O próprio Papa João Paulo II nas suas duas visitas à Basílica se ajoelhou e beijou a coluna.

Do lado da Santa Capilla estão expostas duas bombas da Guerra Civil Espanhola que tentaram destruir a Basílica, mas que milagrosamente não explodiram, deixando-a intacta.

Outro tesouro da basílica fica por conta do afresco Regina Martyrum pintado por Francisco Goya. No coreto há outra pintura sua.

De volta à Praça do Pilar tivemos a sorte de assistir à uma sequência de procissões super bonitas.

Ainda na praça visitamos La Seo, outra catedral românica, que depois de várias reformas é hoje gótica, construída em cima do Foro Romano e aproveitando a estrutura de uma antiga mesquita.

La Seo, atrás da estátua de Goya, morador ilustre de Zaragoza

Entre a Basílica del Pilar e La Seo, está a Lonja de Zaragoza, um edifício renascentista do século XVI que hoje abriga a Prefeitura da Cidade. É possível entrar porque sempre há exposiçoes gratuitas no saguao.

A Lonja do lado esquerdo da Catedral la Seo
Interior da Lonja onde há exposiçoes

Bem em frente a La Seo, fica a entrada dos Museus Arqueológicos Romanos. Todos os edifícios romanos da cidade, com excessão de algumas partes da Muralha, estão hoje no subsolo da cidade – isso mesmo – Zaragoza foi reconstruída em cima de Cesaraugusta!

Anfiteatro Romano de Zaragoza

Ee isso é muito comum de se ver aqui na Europa – depois de cada invasão, o dominador destrói a cidade dominada e constrói outra por cima. Esse subsolo da cidade pode ser visitado dentro dos Museus Romanos de Zaragoza que formam a Ruta Cesaraugusta: 1. Museu do Foro Romano; 2. Museu do Porto Fluvial; 3. Museu das Termas Públicas e 4. Museu do Teatro.

Ainda na Praça, em frente à Basílica do Pilar está o Museu de Goya, o famoso pintor espanhol que naceu em Zaragoza em 1746. Ele morou em 9 casas em Zaragoza, mas infelizmente nenhuma foi conservada ou transformada em casa-museu. Resta o museu, que nao nos deu tempo de visitar, mas dizem ser maravilhoso e os ingressos podem ser comprados online no site.

Na outra ponta da Praça passamos pela Fonte da Hispanidad que representa todos os países que compartem o idioma español. Há uma mapa gigante da América do Sul representando os povos que compartem a cultura espanhola.

Ainda na Praça do Pilar, próximo à entrada da Igreja San Juan de los Panetes, está parte da antiga muralha romana da cidade e uma estátua de Cesar Augusto.

Praticamente em frente à Basílica, cruzando o Rio Ebro está a Ponte de Pedra, que cosntruída no século XV oferece uma das vistas mais bonita da Basílica!

De lá seguimos a orla do rio Ebro até chegar ao Palácio da Aljafería, sede do período muçulmano, essa construção fortificada do século XI, junto com a Mesquita de Córdoba e a Alhambra em Granada são os maiores exemplos de arte mudéjar da Espanha, reconhecidos como Patrimônio da Humanidade pela Unesco.

O interior do palácio com patio aberto de laranjas e detalhes da arquitetura deixam marcado o estilo árabe da construção.

A partir do século XII ele passou às mãos dos cristãos e se converteu no Palácio dos Reis Aragoneses: Fernando de Aragão e Isabel de Castilla. Desse período se destaca a Sala do Trono toda decorada em arte mudéjar, que é um estilo de arte exclusivo da Espanha.

Depois que o árabes foram expulsos da Península Ibérica, alguns muçulmanos foram perdoados e receberam a autorização para ficar na Espanha desde que trabalhassem na conversão dos templos Islâmicos à Catalólicos, e assim surgiu a arte mudéjar, da fusão hispano-muçulmano. Hoje o Palácio abriga o Parlamento de Aragão.

Na sala de meditaçao da Rainha Isabel

Nós justamente fomos em um dia que a visita era grátis, mas é possível reservar a visita guiada tanto ao Palácio quanto ao Paralamento no próprio site.

Na volta fomos direto para o Centro Histórico da cidade em especial no bairro chamado El Tubo que é formado por um emaranhado de ruazinhas super estreitas que abrigam o maior número de bares e restaurantes por metro quadrado.

É a principal área de tapeo da cidade; cada bar tem sua especialidade e a regra é ir passando de bar em bar e provando o que a culinária espanhola tem de melhor: as tapas! Veja o post aqui.

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El Tubo em Zaragoza: rota das tapas espanholas

Confesso que quando decidimos passar a Páscoa em Zaragoza e comecei a pesquisar o que podíamos fazer por lá, no momento em que li sobre El Tubo comecei a ficar super empolgada com a idéia de um lugar dedicado exclusivamente ao tapeo espanhol que eu tanto amo. E isso é o El Tubo, um emaranhado de ruazinhas em pleno Centro Histórico da Cidade com vários barzinhos para tapear.

El Tubo, Zaragoza

Os bares espanhóis tem um conceito muito diferente dos barzinhos brasileiros: primeiro que eles são para toda a família, você vai encontar do avô ao recém nascido, todos convivendo na maior harmonia; outro ponto está no charme e história de cada edifício, móvel e decoração aliado à deliciosa tradição das tapas, iguaria na qual os espanhóis são especializados!

Tapas Espanholas em Zaragoza

As tapas, para quem não conhece, são pequenas porções de comidinhas, que servem para acompanhar a bebida, ou seja, uma espécie de aperitivo. Há uma lenda que diz que as tapas surgiram quando o rei Afonso III estava tomando uma taça de vinho em Cádiz e por causa de um pequeno golpe de vento que levantou a areia do chão, o garçom cubriu a taça com uma fatia de presunto para que a areia não entrasse. O rei adorou a ideia da tampa (“tapa” em espanhol) e passou a pedir as próximas taças com a mesma “tapa”.

Outra lenda, essa do período dos Reis Católicos, para combater as brigas na saída das tabernas pelo excessivo consumo de álcool, se obrigou a todo estabelecimento servier junto com a bebida uma porçãozinha de comida para minimizar seus efeitos.

As principais ruas do El Tubo são a Calle Estébanes e a Calle Libertad, mas há barzinhos por todas as ruazinhas adjascentes que oferecem várias possibilidades para uma rota de tapas completa!

Mercado Gastronômico Puerta Cinegia

Nós começamos na Calle Coso nº 35, onde está o Mercado Gastronômico Puerta Cinérgia com mais de 20 estandes de comida e uma área de mesas coletivas em um ambiente muito familiar.

Você escolhe as “croquetas” da vitrine e ela sao fritas na hora

El Champi

Nossa segunda parada foi no El Champi, que serve somente um tipo de pincho: champignon gigantes na chapa com azeite e alho dentro de um pâozinho bem macio.

Nos chamou muito a atenção a enorme chapa cheia de cogumelos e o cherinho pelo ar é irresistível.

Há vinho e cerveja e as mesinhas não tem cadeiras – o giro é rápido porque o lugar é lotado, mas bem amplo e muito bom!

Almau Bodegas

Já o Almau Bodegas é um dos melhores que fomos. Com estilo bem tradicional, rodeado por vinhos de todos os lados, surpreenden os pinchos que tem um toque exótico: comi um de queijo de cabra, anchova e chocolate e outro mais normal de quijo de cabra e geléia. As azeitonas também são bem boa acompanhadas de um vinhozinho espanhol especial.

Tapa de queijo de cabra, anchova e chocolate

Do lado de fora há uma área super agradável para conversar e tapear. Gostamos bastante.

Casa de las Migas

Na Casa de las Migas pedimos o prato mais famoso da região, as migas claro! Miga é miolo de pão em espanhol e o prato é uma espécie de farofa de miolo de pão, com azeite cebola e chistorra, uma linguicinha um pouco mais temperada e macia que a calabresa.

Casa de la Migas em Zaragoza

O lugar estava lotado, eles tem um ambiente interno e uma espécie de Biergarten também. Conseguimos com muita sorte encontrar uma mesinha de dois, mas a espera pelas migas foi grande. A sorte é que no balcão há uma parte de tapas já prontas que são servidas na hora, muito boas e várias feitas com frutos do mar! Masd e todos os que visitamos, esse foi o que menos gostamos.

Taberna Doña Casta

Finalizamos a noite na Taberna Doña Casta especializada em croquetes. Nos sentamos no balcão em frente à parte onde ficam expostos todos os bolinhos já preparados prontos para fritar.

Prontos para fritar

A variedade de sabores é enorme e também com um toque diferente. Pedi um de champigon com queijo de cabra e outro de cogumelos com foie gras. Deliciosos e fritinhos na hora! O ambiente é mais escurinho e menor.

Croquetas com recheios exóticos