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Ouro Preto, a Cidade Histórica de Aleijadinho

Quando penso em Ouro Preto, a primeira coisa que me vem a cabeça é Aleijadinho, um dos maiores artistas do período colonial brasileiro e ilustre cidadao de Ouro Preto, uma das cidades mais famosas pela arquitetura colonial e a primeira do país a ser considerada Patrimonio da Humanidade pela UNESCO.

A história da cidade, assim como Tiradentes, começou com a exploraçao do ouro, nesse caso, desemcadeado por um cidadao que encontrou um pedaço de pedra negra (ouro escurecido) e desemcadeou a maior febre de ouro do país. A cidade, que nessa época, se chamava Villa Rica, enviou toneladas de ouro à Coroa Portuguesa durante o século XVIII e hoje o que restou é a sua arquitetura barroca.

Nós chegamos em Ouro Preto vindos de Belo Horizonte e depois de um rápido pit stop em Mariana. Almoçamos na estrada em um restaurante muito legal e diferente, o Jeca Tatu, que fica em um lindo mirante e é uma mistura de rancho + loja vintage + o melhor Pastel de Angu da cidade!

Pastel de Angu? Isso mesmo, até chegar ao Jeca Tatu você estará desejando pastel de angu mais do que água no deserto. Cada placa, cada poste, cada banner da BR 040 te insitará a isso. Resumindo: tem que provar. Vai por mim que o trem é bão, sô!

Nos hospedamos na Pousada Nello Nuno que é muito boa e super bem localizada, no coração de Ouro Preto. Deixamos as malas e saímos para passear!

Ouro Preto é um emaranhado de calçadoes de pedras serpentiados por fontes, casinhas típicas, capelas e igrejas dos séculos XVI e XVII.

É uma cidade compacta e fácil de ser navegada, mas ao mesmo tempo as ladeiras tornam o passeio um pouco mais difícil e cansativo. A cidade, no entanto é cheia de história, bares, restaurantes e repúblicas estudantis.

Começamos pela Praça Tiradentes, a mais famosa e central da cidade. Lá está o Museu da Inconfidencia, além de várias lojinhas de artesanato com as famosas namoradeiras na janela e muitos barzinhos e restaurantes. À noite o museu fica todo iluminado e é a coisa mais linda!

Ladeira abaixo passamos pela Igreja de São Francisco de Assis com muitas obras de Aleijadinho e Ataíde. Logo em frente, no Largo Coimbra, há uma feirinha de artesanatos em pedra sabão, típico da cidade.

Alguns passos para o lado e você encontrará outra igreja, a Nossa Senhora do Carmo em estilo barroco-rococó e logo mais a Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição projetada por Manuel Francisco Lisboa, pai de Aleijadinho, em sua nave encontram-se as sepulturas de ambos.

Quase ao lado está a Casa dos Contos, uma antiga casa de pesagem e fundição de ouro era onde o quinto era recolhido. Outra parada obrigatória é na Casa-Museu de Aleijadinho, que foi um dos lugares que mais gostei de visitar.

O museu oferece um mini tour pela casa, contando a história da sua vida e no final você degusta a melhor cachaça da região, a Safra Barroca, que dizem ser afrodisíaca, e a cachaça tomada pelos nobres.

 

Ela é vendida em uma garrafa de pedra sabão por cerca de R$120, somente nesse museu. E eu que não sou chegada em cachaça, tenho eu te dizer que vale muito a pena. Ela é deliciosa, meio adocicada e saborosa. Em garrafa de vidro a cachaça tem valor menor, mas não é tão charmosa.

Por fim, visitamos a Igreja de Nossa Senhora do Pilar, um dos exemplos máximos da arte barroca brasileira e um dos pontos altos de toda a Estrada Real. Ela tem mais de 400 kg de ouro em sua decoraçao e o Museu do Oratório tem peás religiosas de diferentes estilos.

Como estávamos lá em plena Copa do Mundo, aproveitamos para assistir o jogo da Inglaterra x Uruguai no Escadabaixo Pub e Butequim. O pub é literalmente escada abaixo; no térreo fica o restaurante. O ambiente é bem legal e os drinks ótimos!

 

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Congonhas e os 12 Profetas de Aleijadinho

Congonhas, na minha opinião, é uma das cidades imperdíveis da Estrada Real, assim como Ouro Preto, Tiradentes e Paraty. A visita é rápida, pois a cidade é pequena e o foco é visitar seu maior tesouro:  o Santuário de Bom Jesus de Matosinhos.

O Santuário é um conjunto arquitetônico formado pela Basílica, construída no século XVII, pelas esculturas dos Doze Profetas esculpidas em pedra sabão por Aleijadinho e por seis Capelas que guardam as cenas da Paixão de Cristo. O santuário está localizado no morro do Maranhão.

Aleijadinho foi o principal artista do período colonial brasileiro, entre os séculos XVIII e XIX e a série de 12 profetas é uma das mais completas da tradição cristã em todo mundo.

A teologia cristã fixa em 16 o número de profetas, que resulta da soma dos 12 apóstolos e quatro evangelistas. São quatro profetas maiores e oito menores, selecionados na ordem do cânon bíblico. Os quatro profetas maiores, assim chamados pela maior quantidade de textos proféticos escritos, correspondem aos evangelistas Isaías, Jeremias, Ezequiel e Daniel. Os 12 profetas menores, correspondentes aos apóstolos, são Oséias, Joel, Amós, Abdias, Jonas, Miquéias, Naum, Habacuc, Sofonias, Ageu, Zacarias e Malaquias.

Com as 12 estátuas dos profetas, Aleijadinho executou o maior conjunto barroco do mundo. Mesmo muito debilitado pela doença que o consumia – o artista sofria de hanseníase, origem de seu apelido – e utilizando largamente o trabalho de seus colaboradores, dentre eles Manuel da Costa Ataíde, Aleijadinho deixou em Congonhas a marca da sua genialidade.

Muitos autores consideram perfeita a organização cenográfica dos Profetas, comparável à de um ato de balé. Aleijadinho não apenas respeitou a ordenação do cânon bíblico para a escolha dos Profetas de Congonhas, como ainda os situou em posições que seguem de perto essa ordenação.

Infelizmente as estátuas não estão tão bem conservadas por falta de conscientização da população, que além do desgaste natural da pedra sabão e ação dos vândalos, prendia os fogos de artifício para serem lançados no ano novo. Elas estao passando por um processo de recuperaçao chamado Projeto Monumenta do Ministério da Cultura de Minas.

Alías, a vista panorâmica da cidade que se tem de lá de cima também é um dos pontos altos do passeio.

Mas para mim, pessoalmente, a cereja do bolo está dentro de cada uma das seis capelas que representam em detalhes as cenas da Paixão de Cristo.

Eu fiquei surpresa com a harmonia das cores, a perfeição dos detalhes e a fiel representaçao das cenas que realmente só poderiam ser reproduzidas por um mestre.

A Basílica do Bom Jesus também não fica atrás, em estilo rococó, muitos dos afrescos foram feitos por Aleijadinho e a pintura do teto foi retratada pelo Mestre Ataíde.

 

 

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Tiradentes, a Cidade mais estrelada da Estrada Real

A cidade de Tiradentes foi fundada em 1702 quando os paulistas descobriram ouro nas encostas da Serra de Sao José e aí fundaram uma pequena cidade que, na época, se chamava Santo Antonio do Rio das Mortes. A cidade ficou conhecida por conta do seu mais ilustre morador e que lhe rendeu o nome posteriormente, oTiradentes“, e o vigário Toledo, em cuja casa se tramou a Inconfidência Mineira. Duarante muito tempo a cidade sobreviveu da exploraçao do ouro até entrou para a rota turística da Estrada Real, as únicas vias autorizadas de acesso à regiao das reservas de ouro e diamante da antiga Capitania de Minas Gerais e que que percorrem mais de 170 cidades de Sao Paulo e Minas.

Tiradentes é uma cidade bem pequena, típica do interior, que gira em volta da pracinha e da Igreja. A Igreja de Santo Antônio é a matriz da cidade e fica ao lado da Igreja Rosários do Pretos, que é a mais antiga da cidade, construída pelos escravos.

O ‘point’ de Tiradentes é o Largo das Forras, a pracinha central da cidade onde ficam as lojinhas de artesanato, de queijos, de doces, de pimentas, os bares e restaurantes.

A cidade é muito charmosa, uma espécie de Paraty sem mar ou Colônia do Sacramento, com suas casas coloniais, ruas de paralelepípedos, igrejas e restaurantes. Não é difícil ver casais e famílias fazendo longos passeios de jardineira e charrete.

Os restaurantes passaram a ser o destaque da cidade, que é considerada o polo gastronômico da Estrada Real. A fama começou com a criação do Festival Gastronômico de Tiradentes que acontece todos os anos em Agosto.

Outro ponto interessante é o Chafariz de São José, uma construção do século XVII, que é o cartão postal da cidade. Foi construído há 262 anos para abastecer a cidade com água potável. As três fontes funcionam até hoje e ostentam o brasão da Coroa Portuguesa.

Mas é a noite que a cidade se transforma em cenário com suas casinhas iluminadas – um charme só. Bem climinha de cidadezinha do interior.

Caminhamos entre as ruelas e depois jantamos em dos restaurante mais famosos da cidade, o Restaurante Bar do Celso. O melhor tutu de feijão da vida!

Onde Ficar

Nos hospedamos no Pouso Francês, uma pousada super charmosa (nosso quarto dava para um jardim de inverno) praticamente só nosso e adoramos passar a noitinha por ali tomando um bom vinho e apreciando o Rocambole da Lagoa Dourada.

O quarto reformado e super confortável somado ao café da manhá incrível nos conquistou de vez.

Como Chegar

Carro: Viemos de carro de Ouro Preto pela MG 383. De São Paulo o acesso se dá pela Fernão Dias.

Ônibus: A empresa Expresso Gardência faz o trecho de São Paulo – São João del Rei (que é a cidade vizinha). A Viação Sandra faz o trecho Belo Horizonte – São João del Rei. Ao chegar em São João del Rei, pegue o ônibus da Empresa Presidente até Tiradentes.

Compras

Foi a melhor cidade que encontramos para comprar os famosos queijos mineiros como o Queijo da Serra da Canastra. Maior variedade e melhor preço que encontramos nessa rota em Minas.

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Estrada Real: roteiro para percorrer o Caminho do Ouro do Brasil Colônia

Imagine-se no século XVI: cada rota aberta no Brasil durante o Brasil Colônia servia para facilitar o escoamento de ouro e diamantes para Portugal. Por isso, todos os caminhos eram “oficiais” ou seja “Estaradas Reais”. Esses caminhos também ajudacam no controle da Coroa Portuguesa sobre o ouro extraído e garantia a cobrança do imposto equivalente a 1/5 do valor de todo ouro encontrado. Daí a oriegm da expressao o quinto dos infernos. Como todo brasileiro espertinho, muitos escondiam o ouro dentro de estátuas ocas de Santos de Madeira na tentativa de pagar menos impostos, daí a origem da segunda expressao, o Santo do pau oco.

A Estrada Real tem mais 1500 km de extensao que recorrem várias cidades históricas entre Sao Paulo e Minas, muitas declaradas patrimônio da humanidade, e que retratam a história do Brasil, dos livros para a vida real.

Ela pode ser percorrida de carro, a pé ou de bicicleta. Hoje em dia, existe um projeto turístico que visa a revitalização dos trechos da estrada e das cidadezinhas históricas. Mais informações podem ser encontradas no Instituto Estrada Real que tem rotas pré planejadas para que você explore o trecho que mais lhe interessar da estrada, além de dicas de paragem e hospedagem.

Estrada Real entre Sao Paulo e Paraty

Antes a rotas ia de Ouro Preto a Paraty, mas hoje há outras variações como o Caminho dos Diamantes, Caminho Velho, Caminho Novo e Caminho do Sabarabuçu.

Fizemos o caminho de carro, alugado pela Rentalcars no aeroporto de Belo Horizonte. Escolhemos fazer uma parte do Caminho Velho, passando pelas cidades de Mariana, Ouro Preto, Congonhas, Entre Rios, Lagoa Dourada, Tiradentes e Paraty.

Belo Horizonte

Partimos de Belo Horizonte , depois de visitar a Inhotim, rumo a Ouro Preto (pela MG 443), a cidade mais importante do barroco mineiro e carro chefe do percurso.

Ouro Preto

Mas antes fizemos uma parada em Mariana, uma das maiores produtoras de ouro para a Coroa Portuguesa, para conhecer os famosos tapetes de fé.

Mariana e os tapetes de fé

Em seguida fomos em direção à Congonhas, cidade que abriga os 12 Profetas de Aleijadinho na Basílica do Bom Jesus dos Matosinhos.

Congonhas e os 12 profetas de Aleijadinho

Seguimos pela BR 383 em direção à Entre Rios, uma pequena vila da Estrada Real que abriga o Café com Prosa, ótima parada na hora do almoço, com comida mineira no fogão à lenha. Mas nossa intenção era outra: provar o famoso pão de queijo com linguiça de Minas. Eita, trem bão, sô! É um café de beira de estrada, mas há muita sinalização na estrada indicando o lugar.

Pao de queijo com linguiça do Cafe com Prosa em Entre Rios, Minas

A sobremesa ficou para a próxima parada – Lagoa Dourada – distante 30 km de Entre Rios é famosa pelo melhor rocambole do Brasil! Há muitas lojas oferecendo a iguaria, mas nós escolhemos o Rei do Rocambole e tenho que confessar: ma-ra-vi-lho-so!

Você pode comprar uma fatia e ainda levar meio rocambole ou inteiro para viagem! Não resistimos e sucumbimos ao de doce de leite com morangos…

Ainda na estrada possíveis paradas são as cidades de Coronel Xavier Chaves, famosa pelos engenhos de cana-de-açúcar que oferecem degustação de cachaças artesanais e Bichinhos, conhecida por produzir o melhor artesanato de Minas. Passamos batido pelas duas e fomos direto para Tiradentes, uma charmosa vila colonial, polo gastronômico e “point” da Estrada Real. Outra cidade próxima dali é São João del Rei com muitas construções coloniais.

Continuando pela estrada você sairá em Paraty, sede do mais importante porto exportador de ouro do Brasil. Fizemos Paraty em outra viagem, leia aqui, quatro meses depois, para completar o percurso da Estrada Real, mas se tiver mais tempo disponível, cerca de dez dias, você consegue fazer toda a rota de uma vez só.

Nós fizemos a primeira parte em 4 dias e a segunda também em outro feriado de 4 dias, pois ficamos mais dias curtindo a praia e os passeios de barco em Paraty.