Frankfurt é muitas vezes associada apenas ao seu perfil financeiro e moderno, mas no inverno a cidade revela uma face surpreendentemente histórica, acolhedora e profundamente ligada às tradições alemãs. Caminhar por Frankfurt nessa época é percorrer séculos de história entre o rio Meno, mercados natalinos centenários e pequenas cidades termais nos arredores, onde o tempo parece desacelerar.

Um dos símbolos mais emblemáticos da cidade é a Eiserner Steg, a ponte metálica exclusiva para pedestres inaugurada em 1869. Construída para ligar o centro histórico ao bairro de Sachsenhausen, ela se tornou essencial para a vida urbana de Frankfurt.

Destruída durante a Segunda Guerra Mundial, foi reconstruída em 1946 e hoje é conhecida tanto pela vista privilegiada do skyline quanto pelos inúmeros cadeados do amor presos às suas grades. No inverno, com o frio suave (tivemos sorte de pegar somente 12•C) e as luzes refletidas no rio, a travessia da ponte ganha um clima especialmente contemplativo, unindo passado e presente em poucos metros.

Um fato que impressiona muito no inverno é o céu cinzento que começa em novembro e vai até abril. Parece que nunca realmente amanhece. Muito diferente de quando fiz meu curso de alemão na mesma Frankfurt em Maio, super quente e ensolarada.

A poucos minutos dali está o Mercado de Natal de Frankfurt, um dos mais antigos da Alemanha, com registros históricos desde o século XIV.


Montado principalmente na praça Römerberg, em frente às casas enxaimel reconstruídas após a guerra, o mercado preserva tradições regionais como o Glühwein, servido em canecas decoradas, e o Brenten, um doce típico à base de marzipã. Uma curiosidade local é a presença do vinho quente feito com Apfelwein, o vinho de maçã característico da região do Hesse, algo pouco comum em outros mercados natalinos do país.


Para além da cidade, uma curta viagem leva a Bad Soden am Taunus, uma das charmosas cidades termais alemãs situadas nas proximidades de Frankfurt.

A tradição termal na Alemanha remonta ao período romano, mas foi no século XIX que essas cidades viveram seu auge, tornando-se destinos de cura frequentados por aristocratas, intelectuais e membros da alta burguesia europeia. O título “Bad” no nome indica reconhecimento oficial como estância termal, associado à presença de águas minerais com propriedades terapêuticas. Em Bad Soden, as antigas fontes salinas moldaram o desenvolvimento urbano e ainda hoje definem o caráter tranquilo e elegante da cidade, com parques amplos, arquitetura histórica e um ritmo de vida claramente mais calmo.


Durante o inverno, o mercado de Natal de Bad Soden reforça esse clima intimista. Menor e menos turístico do que o de Frankfurt, ele se organiza ao redor do centro histórico e dos parques termais, criando uma atmosfera local, quase doméstica. É o tipo de mercado onde se conversa com quem vende, prova especialidades regionais sem pressa e percebe como essas cidades foram pensadas para o bem-estar — físico e social — muito antes do conceito moderno de qualidade de vida.


Também fizemos uma parada em Ingolstadt, que eu já tinha visitado em 2018, e ficamos em um hotel muito bom, o Hotel Maritim, a poucos passos do centrinho.




