O terceiro e último dia do nosso tour com a @trollexpeditions começou com uma sensação diferente. Talvez por sabermos que estávamos nos aproximando do fim, talvez porque a paisagem, a partir dali, se tornasse ainda mais silenciosa e definitiva. Seguimos pela Costa Sul rumo a três lugares onde a Islândia se revela em sua forma mais simbólica.
Diamond Beach: a efemeridade do gelo
A Diamond Beach fica ao lado da famosa lagoa glaciar Jökulsárlón, formada apenas na década de 1930, quando o glaciar Breiðamerkurjökull começou a recuar de forma mais acelerada. Desde então, a lagoa cresce ano após ano, alimentada pelo degelo do Vatnajökull, o maior glaciar da Europa.

Ao fundo da lagoa, uma surpresa: várias focas, que nadam entre os icebergs ou descansam sobre o gelo, completando a cena quase irreal do lugar. E elas só aparecem de vez em quando, tivemos muita sorte!

Da lagoa até a praia, a caminhada é curta.

Os blocos de gelo que aparecem espalhados pela areia negra são icebergs que se desprendem do glaciar, flutuam pela lagoa e, após atravessarem um curto canal, são lançados pelo Atlântico Norte de volta à costa.

O nome “Diamond Beach” não é oficial, mas tornou-se popular pela forma como o gelo, polido pelo mar, brilha sobre a areia vulcânica — um contraste quase gráfico entre o preto absoluto e o azul translúcido.

Nada ali é permanente. Cada pedaço de gelo pode durar horas ou dias antes de desaparecer completamente. Caminhar pela praia é observar o ciclo visível do tempo, um lembrete concreto das transformações climáticas em curso e da fragilidade dessas paisagens.

A poucos passos da lagoa, há uma pequena área de apoio com banheiros e uma lanchonete simples, conhecida pela sopa de lagosta surpreendentemente boa — reconfortante, quente e perfeita para uma pausa depois do frio intenso.

Crystal Ice Cave: dentro do glaciar
Entrar na Crystal Ice Cave é atravessar uma fronteira invisível. Essas cavernas se formam naturalmente todos os anos, quando a água do degelo do verão escava túneis sob o glaciar e o frio intenso do inverno os estabiliza.
A aventura já começa no caminho porque vamos nesses super jeeps!

As cavernas são fenômenos sazonais — surgem, mudam de forma e colapsam, dando lugar a outras no inverno seguinte.

A caverna que visitamos fica no interior do Vatnajökull, que cobre cerca de 8% do território islandês e possui camadas de gelo que registram variações climáticas de centenas, às vezes milhares de anos.

O azul intenso das paredes não é efeito de luz artificial: ele surge porque o gelo antigo é extremamente comprimido, absorvendo quase todo o espectro de cores e refletindo apenas o azul.

Lá dentro, o som é abafado, o ar é frio e estável, e a sensação é de estar em um espaço provisório. O guia explica que algumas dessas cavernas jamais poderão ser visitadas novamente — não por perigo, mas porque simplesmente deixarão de existir. A experiência não é de conquista, mas de passagem. Um privilégio breve.

Seljalandsfoss: história, água e permanência
No retorno a Reykiavik, paramos em Seljalandsfoss, uma das cachoeiras mais antigas e simbólicas da Costa Sul. Com cerca de 60 metros de altura, ela é alimentada por águas que descem do glaciar Eyjafjallajökull, vulcão que entrou em erupção em 2010 e interrompeu o tráfego aéreo em grande parte da Europa — um lembrete moderno do poder latente da ilha.

Seljalandsfoss cai diante de um penhasco semicircular que, no verão, permite caminhar por trás da cortina d’água. No inverno, o gelo transforma completamente o lugar: estalactites se formam nas paredes, o caminho se fecha e a cachoeira assume um caráter mais introspectivo. A água continua caindo, inalterada, enquanto o entorno muda.

Diferente de outras quedas mais imponentes, Seljalandsfoss impressiona pela constância. Ela está ali desde quando aquela falésia ainda marcava a linha costeira da Islândia. O mar recuou, a terra mudou, mas a água permaneceu.

Entre o gelo que brilha por instantes na areia, a caverna que existe apenas por uma estação e a cachoeira que nunca deixou de cair, ficou claro que a Islândia é feita de contrastes entre o transitório e o eterno. É um lugar onde a geologia, a história e o clima continuam acontecendo — e onde nós, visitantes, somos apenas uma breve camada a mais nessa paisagem em constante transformação.
