Chegar ao Silica Hotel é quase silencioso. A estrada corta um campo de lava coberto por musgo e neve, tudo parece suspenso no tempo, como se a Islândia estivesse respirando em outro ritmo.

O hotel surge discreto, integrado à paisagem, sem tentar competir com ela — e isso já diz muito sobre a experiência que vem a seguir.

Nos hospedamos ali como quem busca uma pausa. O quarto é amplo, minimalista, com janelas grandes que deixam a luz natural entrar mesmo nos dias mais nublados. Nada é excessivo.

Tudo é pensado para desacelerar. A sensação é de estar isolado, mas ao mesmo tempo muito perto de tudo.




O verdadeiro ritual começa quando descemos para a lagoon privativa do hotel. A água é quente, leitosa, rica em minerais — a mesma origem geotérmica da famosa Blue Lagoon, mas em uma versão muito mais íntima e silenciosa.

Entrar ali logo cedo, com poucas pessoas, vapor subindo suavemente e o contraste do ar frio no rosto, é uma experiência quase meditativa.






Ficamos ali longos minutos, sem pressa, apenas flutuando. Íamos de manhã e de noite, sempre aue chegávamos no hotel. Eles dão roupão e chinelo (para levar para casa) e a área da piscina tem silica (para máscara facial).

Também há uma área de apoio com banheiros e vestuário.


Em outro momento do dia, seguimos a pé até a Blue Lagoon, a poucos minutos do hotel.

Apesar de ser um dos lugares mais turísticos da Islândia, viver essa experiência hospedado no Silica muda tudo. Chegar sem filas, já relaxado, faz diferença.

A hospedagem no Hotel Silica já inclui a entrada Premium ao Blue Lagoon que inclui também o uso de tolhas, roupão, chinelos, duas máscaras faciais (silica e algas) e um drink grátis no bar da piscina.

Optamos por explorar o spa com calma e nossa primeira parada foi no bar de máscaras, fizemos as duas (silica e alga) e depois fomos relaxar no bar da piscina tomando nossa sidra islandesa. O bar fica bem ao lado da área de massagens, como dá pra ver no mapa abaixo.

E falando em massagens, essa é uma das melhores dicas que posso dar da Blue Lagoon: reservar uma massagem realizada dentro da própria lagoon (In-water massage), – algo difícil de descrever: você flutua enquanto o terapeuta trabalha o corpo, a água sustenta, o calor relaxa profundamente. É um luxo sensorial, mas também um descanso real.

Embora esta seja a imagem que todo mundo tem da Blue Lagoon, existe uma área privativa próxima às pontes, dedicada exclusivamente aos serviços de spa, que muitas pessoas nunca chegam a ver ou vivenciar.
Essa área tranquila, voltada à “cura e relaxamento”, proporciona uma experiência diferente de qualquer outra que você já tenha tido. Recomenda-se reservar o serviço de spa com antecedência, devido à alta demanda, no próprio site da Blue Lagoon. Os hóspedes devem fazer o check-in na recepção da Blue Lagoon 60 minutos antes do horário do tratamento.
Ao se aproximar da área dos serviços de spa, você verá uma placa e notará que o espaço também é delimitado por cordas. Do outro lado, mais próximo do prédio, há uma área onde é possível aguardar até que o massagista esteja pronto para atendê-lo.
A nossa massagista nos recebeu prontamente no horário agendado e nos mostrou como deveríamos posicionar a maca flutuante sob o corpo para que pudéssemos nos deitar sobre ela na água durante a massagem.

Já acomodada na maca, fomos cobertas com toalhas antes do início da massagem e isso imepede que você sinta qualquer tipo de frio já que a água quentinha vai esquentando a toalha.
Depois de superar o medo inicial e passageiro de me afogar durante uma massagem na água, o relaxamento foi praticamente instantâneo. Naquela água, fiquei tão relaxda que minha mente finalmente desacelerou, permitindo que eu simplesmente me deitasse, relaxasse e aproveitasse completamente a experiência. No final eles te deixam ficar relaxando na maca e eu não queria mais ir embora. É importante passar condicionador no cabelo – que eles oferecem na própria área de apoio da Blue Lagoon, já que a silica pode ressecá-lo muito.

Todos os produtos usados são vendidos em uma loja dentro da Blue Lagoon ou dentro do Hotel Silica ou no próprio aeroporto onde eu comprei alguns bons produtos, não somente da Blue Lagoon.


Voltamos para o hotel no fim do dia, quando o céu começa a mudar de cor e a paisagem vulcânica ganha tons ainda mais dramáticos.


Obviamente que saimos de uma lagoa e entramos na outra. A lagoon do Silica à noite é outro capítulo: iluminação baixa, silêncio absoluto e a sensação de estar no meio de um cenário quase lunar. Depois de entrar nessa lagoon, sinceramente, a Blue Lagoon perde quase toda a graça, valeu mais pela massagem.


Dormir ali é diferente. Não é apenas um hotel bem localizado ou confortável — é uma experiência de transição. Um lugar perfeito para começar ou encerrar uma viagem pela Islândia, quando o corpo ainda precisa se adaptar ao país ou quando a mente já precisa desacelerar antes de ir embora.




O Silica não é sobre fazer muito. É sobre sentir. E isso, na Islândia, faz todo sentido.
