Lisboa também sabe ser futurista. Longe dos elétricos antigos e das ladeiras de Alfama, a cidade revela uma face moderna, aberta e surpreendentemente silenciosa no Parque das Nações — uma área que nasceu de um grande evento internacional e se transformou em um dos bairros mais agradáveis para caminhar à beira do Tejo.

O Parque das Nações surgiu a partir da Expo ’98, exposição mundial realizada para celebrar os 500 anos das navegações portuguesas. Onde antes havia uma zona industrial degradada, Lisboa criou um bairro planejado, com arquitetura contemporânea, amplos espaços verdes e uma relação direta com o rio. O resultado foi tão bem-sucedido que hoje a área é referência em requalificação urbana na Europa.

Caminhar pelo calçadão à beira do Tejo é uma das grandes atrações: vistas amplas, ciclovias, cafés modernos e uma atmosfera leve, muito diferente do centro histórico. Ao fundo, a Ponte Vasco da Gama — uma das pontes mais longas da Europa — reforça a sensação de espaço e modernidade.

O edifício que domina o cenário é a MYRIAD by SANA Hotels, instalado na Torre Vasco da Gama. Seu desenho curvo e vertical, voltado para o Tejo, costuma ser comparado à famosa “vela” de Dubai — não pela escala, mas pela elegância e pela sensação de estar suspenso sobre a água.

O spa do hotel segue a mesma lógica de silêncio e sofisticação: ambiente minimalista, vista aberta para o rio e uma sensação constante de leveza. É um espaço pensado para desacelerar depois de dias intensos de reuniões, perfeito para quem viaja a trabalho mas não abre mão de conforto.


No café da tarde, além da variedade impecável, um detalhe chama atenção: macarons finalizados com folha de ouro, um gesto discreto, mas simbólico, que reflete o cuidado estético e o posicionamento premium do hotel.


Ao entardecer, o Tejo se transforma em um espelho dourado, a Ponte Vasco da Gama se estende no horizonte e Lisboa parece desacelerar.

Ao fundo de várias fotos aparece a Ponte Vasco da Gama, uma das mais longas da Europa.

Ela atravessa o Tejo em direção à margem sul, conectando Lisboa à região de Palmela / Setúbal, onde fica a Volkswagen Autoeuropa — uma das fábricas mais importantes do grupo na Península Ibérica.

Essa travessia não é apenas geográfica, mas simbólica: liga a Lisboa criativa e institucional ao polo industrial que sustenta boa parte da economia portuguesa.
Esta passagem por Lisboa fez parte de uma viagem de trabalho em setembro de 2024 pela Península Ibérica, e o contraste entre universos foi parte essencial da experiência.


Na margem sul, em Palmela, o jantar aconteceu em uma tasca local, daquelas onde nada é encenado: mesas simples, cadeiras de madeira, vinho branco servido sem cerimônia, pão na mesa e conversas que misturam trabalho e vida. Tenho que confessar que me senti em casa, todos os pratos eram muito familiares e até serviram o vinho favorito do meu avô: o Periquita, que ele mandava trazer de Portugal.



As fotos traduzem bem esse momento — um Portugal cotidiano, autêntico e direto, muito distante dos roteiros turísticos, mas profundamente revelador da cultura local. É nesses lugares que o país se mostra sem filtros.
No alto da torre do hotel, um bar panorâmico, o River Lounge & Bar encerra o dia com perfeição. É um bar mais contemplativo (panorâmico) do que noturno: luz baixa, design elegante e conversas que se prolongam sem pressa.




Entre compromissos profissionais, arquitetura contemporânea e pausas cuidadosamente escolhidas, o Parque das Nações revelou um lado de Lisboa que muitos visitantes não chegam a conhecer: moderno, funcional e silenciosamente sofisticado.
Uma Lisboa que não compete com o passado — apenas mostra que o presente também tem muito a dizer.
