A Audi compete no Campeonato Mundial de Fórmula 1 da FIA com uma equipe oficial de fábrica e um sistema de propulsão (“Power Unit”) desenvolvido na Alemanha 🇩🇪.

O compromisso de longo prazo com o mais alto nível do automobilismo faz parte de uma ampla renovação estratégica da empresa.

E é especialmente interessante ver como essa nova fase também se conecta com uma nova geração de talentos — incluindo o brasileiro Gabriel Bortoleto 🇧🇷, que surge como um dos nomes promissores no cenário da Fórmula 1.
Ao contrário do que o termo “fábrica” pode sugerir, a unidade de Neuburg an der Donau da Audi não é um ambiente de produção em massa, mas um centro altamente especializado onde se desenvolve e testa o coração tecnológico da Fórmula 1.

É ali que cerca de 300 a 400 especialistas trabalham (e eles recebem cerca se 16.000 CVs por ano) na criação da Power Unit — um sistema que integra motor V6, eletrificação, recuperação de energia e eletrônica de controle.
Em bancadas de teste extremamente avançadas, esses sistemas são levados ao limite sob condições que simulam corridas reais. O que acontece em Neuburg não é fabricação no sentido tradicional, mas engenharia de precisão no seu nível mais alto — onde cada detalhe é pensado, validado e integrado para garantir performance, eficiência e confiabilidade absolutas.
Foi bem interessante porque estavam testando tudo para a corrida de Miami no mesmo fim de semana.

Atualmente, o centro conta com 22 bancadas de ensaio de última geração, e as novas ferramentas de desenvolvimento — igualmente de ponta — permitiram alcançar uma curva de aprendizagem significativamente acelerada.

Ao realizar testes nas bancadas sob condições que simulam corridas reais, são obtidos insights fundamentais nesta fase do projeto. Após a validação da Power Unit em distâncias equivalentes às de corrida, o próximo passo é a testagem do sistema de propulsão completo, integrando Power Unit e transmissão. Em paralelo, o desenvolvimento de performance avança em ritmo máximo, com o objetivo de atingir os níveis estabelecidos.

Quando pensamos em Fórmula 1, a imagem que surge é a velocidade na pista, a competição, o limite. Mas a realidade é que tudo isso começa muito antes — em um ambiente altamente controlado, onde engenharia, disciplina e consistência operam em um nível quase absoluto.
Ali, o que chamamos de “motor” é, na verdade, um sistema extremamente sofisticado.
Um powertrain híbrido que integra motor V6, sistemas de recuperação de energia, bateria e eletrônica de controle. Cada componente é desenvolvido e testado sob condições que simulam corridas reais, com um único objetivo: operar no limite — com confiabilidade.
Desde 2022, esse trabalho acontece em Neuburg, em uma estrutura criada exclusivamente para o projeto de Fórmula 1. Um dos poucos centros no mundo onde desenvolvimento, testes e integração acontecem de forma simultânea e com esse nível de profundidade.
Mas o que mais me marcou não foi a tecnologia em si. Foi a lógica.

Performance não é um momento — é um sistema
Existe uma tendência, tanto no esporte quanto no mundo corporativo, de associar performance a momentos extraordinários. A uma grande apresentação. A uma decisão estratégica. A um resultado visível.

Em Neuburg, essa narrativa simplesmente não se sustenta.
Alta performance não é um pico.
É um sistema.
Um sistema construído com precisão, disciplina e consistência. Onde cada detalhe — por menor que seja — é pensado, testado e ajustado para garantir que, quando o momento visível chegar, tudo funcione como deve.
Sem improviso.
A estratégia da Audi
A entrada da Audi na Fórmula 1, segundo o seu CEO Gernot Döllner, vai muito além de uma aposta esportiva: trata-se de um movimento estratégico que conecta inovação, sustentabilidade e cultura organizacional. A F1 é vista como um laboratório extremo, onde eficiência, velocidade de decisão e trabalho em equipe operam no mais alto nível.
As novas regras a partir de 2026 — com maior eletrificação e combustíveis sustentáveis — alinham-se diretamente à visão de futuro da marca, tornando a categoria um ambiente ideal para desenvolver tecnologias e competências que transcendem as pistas. Na F1 cada marca decide que motor adotar, é livre.
Mais do que performance técnica, o projeto reflete uma transformação mais ampla: uma organização orientada por dados, precisão e execução disciplinada, onde a excelência deixa de ser aspiração e passa a ser padrão.
O que eu levo comigo
Talvez por isso essa visita tenha mexido comigo de um jeito diferente.

Porque, no fundo, não era sobre Fórmula 1.
Era sobre como a gente constrói as coisas que realmente importam.
Na vida, nas organizações, na liderança.
Os resultados que vemos — aqueles que parecem impressionantes — quase nunca são sobre talento isolado ou decisões brilhantes.
Eles são sobre estrutura. Sobre consistência.
Sobre ter a disciplina de construir algo sólido, mesmo quando ninguém está olhando.

E essa, para mim, foi a grande lição de Neuburg:
Alta performance não é algo que acontece.
É algo que se constrói — com intenção, todos os dias.
